A morte precoce deve despertar a consciência Nacional para limitações da VIDA HUMANA sem uma boa prevenção da doença. Por isso, é pertinente enunciar alguns motivos porque morremos.
Aplicamos cuidados a outros, muitas vezes orientando cuidadosamente: cliente, amigos, familiares etc...desdenhamos das nossas próprias orientações.
MORREMOS, porque optamos por não viver...
MORREMOS, porque achamos que nunca acontecerá conosco.
Sentimos até um prazer no pensamento da morte como se quando ela chegasse, pudéssemos assistí-la de uma distância respeitosa, procurando nos convencer que não é conosco. Além disso, o medo exerce um estranho poder e faz com que ocultemos: nossas DORES, nossos SINTOMAS...
É justamente a presteza na busca do tratamento que aumenta as chances de seu SUCESSO.
MORREMOS, por que substituimos os pensamentos cristalinos pela névoa das baforadas do cigarro.
Fazemos do ato de comer, um momento de voracidade e saciedade, quando não passa de pura celebração da vida. E o álcool, que nos excita e entusiasma, é uma bengala que nos deixa mais trôpegos depois.
MORREMOS, porque nossa valentia não supera nossa preguiça e permanecemos sentados, assistindo a passar do tempo, sem nos exercitarmos.
MORREMOS, porque somos inquietos, porque nos insurgimos contra o que não pode ser mudado...,porque não somos resignados e ..., muito menos pacíficos.
LUTAMOS, contra nós próprios, forçamos nossa natureza a aceitar a adrenalina em excesso como um fato consumado.
MORREMOS, porque somos mesquinhos com nossas necessidades mais íntimas como: dormir, fazer sexo, rir, chorar, abraçar e ser abraçado, perdoar, ajudar, pedir ajuda e ....agradecer!!!!
MORREMOS, porque não optamos por RIR.
Sisudamente queremos parecer sérios e sofridos.
Perdemos o gosto pelas anedotas, pelos casos engraçados, pela espontaneidade do riso. Um amigo com grande senso de humor é uma graça de DEUS e deve ser ouvido e preservado.
MORREMOS, porque não acreditamos nas limitações do tempo, não agendamos nossos compromissos, permitindo que o telefone nos interrompa a qualquer momento, até mesmo quando estamos lendo um poema...
MORREMOS, porque lemos pouco NERUDA, BANDEIRA, SAINT EXUPERI, QUINTANA, ETC...
PERDEMOSo hábito de sonhar menosprezando o força do sonho, considerando-o inútil e com objetivos, quando ele, que nos amina e engrandece.
Por tudo isso MORREMOS!!!!
Simplesmente optamos por não VIVER!!!!
Fernando Luchese
Cardiologista
Quando eu tinha 17 anos, era aluno de um curso de capacitação, numa certa aula a Psicopedagoga nos fez a seguinte pergunta:
Você é uma pessoa feliz?
Lembro como se fosse hoje que ninguém deu uma resposta positiva, nem mesmo eu. Como ali todos queriam um emprego e de fato ninguém tinha, este tornou-se o motivo principal para se ser ou não feliz dentre os alunos daquela sala.
Como fomos tolos, estavamos todos com ela nas mão mas a superficialidade e a imaturidade nos vendaram os olhos.
Hoje 4 anos depois, aprendi muitas coisas e simplesmente gostaria que essa mesma pergunta me fosse feita novamente, a professora Camila Severo deveria ter escutado esta resposta...
Sou uma pessoa feliz, não tenho ainda o melhor emprego do mundo, nem tenho uma conta bancária cheia da grana, mas tenho votade de fazer as coisas acontecerem e posso conseguir tudo isto com o meu próprio esforço.
Sou uma pessoa feliz, vou a pé para a faculdade, acordo cedo pra trabalhar tenho pouco tempo livre. Tem gente que não pode andar por estar presa a uma cadeira de rodas, ou por não ter uma perna e mesmo assim essas pessoas acreditam em dias melhores.
Sou uma pessoa feliz, sempre que posso ligo um som bem alto e ouço muuuuita música, tem pessoas que são surdas e mesmo assim danção.
Sou uma pessoa feliz por que as vezes vou ver peças de teatro e aprecio o nascer do Sol, tem pessoas que dariam tudo para poder ter a oportunidade de ver coisas que para a maioria já se tornaram banalidades do cotidiano. Ver, acordar, abrir o olhos, para muitos isso não quer dizer necessáriamete sair do escuro, há pessoas para quém o escuro é permanente, e se essa pergunta (Você é uma pessoa feliz?) lhes for feita a resposta possivelmente seja um grande SIM.
Sou uma pessoa feliz porque faço muitas coisas do dia-a-dia e por que tenho família e amigos, e quantas pessoas vivem por ai jogadas no mundo sem niguém pra cuidar delas? Quantas vezes vemos pessoas jogadas na rua e nem ao menos paramos pra pensar na sua história?
A felicidade é algo muito relativo...
Por isso se algum dia essa pergunta for feita para você, pense bem na sua resposta...
Na última noite de quarta-feira na cidade de Alegrete, fronteira oeste do Rio Grande do Sul, tivemos a honra de receber no Clube Casino o Grupo Teatral Companhia do Tijolo.
Parecia que seria só mais uma noite cotidiana do meio da semana(hoje farei um relato bastante pessoal), por acaso fiquei sabendo que haveria uma apresentação teatral.
Cheguei em cima da hora, mas consegui ficar com uma bom lugar na segunda fileira, as pessoas conversavam muito e os atores caminhavam entre nós, anônimos a nos receber. De repente, como de costume no teatro, as luzes baixaram e ouviu-se uma suave frase: boa noite a todos,(...) gostariamos que os celulares fossem desligados e se alguém quiser tirar fotos por favor tirem o flash, sejam bem vindos!!!
Já de início foi uma descontração, a música a dança e mesmo o sotaque dos personagens nos levaram a uma viajem ao Ceará, mais precisamente à Assaré, onde supostamente se passava a história.Ao fundo a Rádio Caldeirão( nesse nome eles fizeram alusão a Irmandade do Caldeirão da Santa Cruz do Deserto) narrava uma programação de rádio que fazia uma ponte de São Paulo para Assaré, chegando à Alegrete.
Incrível como o tempo passou rápido, sendo que este espetáculo, de todos os que eu tive a oportunidade de presenciar, foi o que mais demorou. Em nenhum momento tornou-se chato ou sem sentido, em um dado momento algumas pessoas da platéia foram convidadas a participar da dança e meu lugar tornou-se não tão bom assim, mas enfim... Pudemos nós simples mortais experimentar tudo o que a sensibilidade humana pode perceber, momentos de pura emoção passando pela seriedade e por fim a alegria do povo sertanejo.
Tudo foi baseado no rico trabalho de Patativa...
"Uma das principais figuras da música nordestina do século XX. Segundo filho de uma família pobre que vivia da agricultura de subsistência, cedo ficou cego de um olho por causa de uma doença [2]. Com a morte de seu pai, quando tinha oito anos de idade, passou a ajudar sua família no cultivo das terras. Aos doze anos, frequentava a escola local, em qual foi alfabetizado, por apenas alguns meses [3]. A partir dessa época, começou a fazer repentes e a se apresentar em festas e ocasiões importantes. Por volta dos vinte anos recebeu o pseudônimo de Patativa, por ser sua poesia comparável à beleza do canto dessa ave. Sendo muito amigo da família Diniz.
Indo constantemente à Feira do Crato onde participava do programa da rádio Araripe, declamando seus poemas. Numa destas ocasiões é ouvido por José Arraes de Alencar que, convencido de seu potencial, lhe dá o apoio e o incentivo para a publicação de seu primeiro livro, Inspiração Nordestina, de 1956.
Este livro teria uma segunda edição com acréscimos em 1967, passando a se chamar Cantos do Patativa [2]. Em 1970 é lançada nova coletânea de poemas, Patativa do Assaré: novos poemas comentados, e em 1978 foi lançado Cante lá que eu canto cá. Os outros dois livros, Ispinho e Fulô e Aqui tem coisa, foram lançados respectivamente nos anos de 1988 e 1994. Foi casado com Belinha, com quem teve nove filhos. Faleceu na mesma cidade onde nasceu.
Obteve popularidade a nível nacional, possuindo diversas premiações, títulos e homenagens (tendo sido nomeado por cinco vezes Doutor Honoris Causa). No entanto, afirmava nunca ter buscado a fama, bem como nunca ter tido a intenção de fazer profissão de seus versos. Patativa nunca deixou de ser agricultor e de morar na mesma região onde se criou (Cariri) no interior do Ceará. Seu trabalho se distingue pela marcante característica da oralidade. Seus poemas eram feitos e guardados na memória, para depois serem recitados. Daí o impressionante poder de memória de Patativa, capaz de recitar qualquer um de seus poemas, mesmo após os noventa anos de idade.
A transcrição de sua obra para os meios gráficos perde boa parte da significação expressa por meios não-verbais (voz, entonação, pausas, ritmo, pigarro e a linguagem corporal através de expressões faciais, gestos) que realçam características expressas somente no ato performático (como ironia, veemência, hesitação, etc.). A complexidade da obra de Patativa é evidente também pela sua capacidade de criar versos tanto nos moldes camonianos (inclusive sonetos na forma clássica), como poesia de rima e métrica populares (por exemplo, a décima e a sextilha nordestina). Ele próprio diferenciava seus versos feitos em linguagem culta daqueles em linguagem do dia-a-dia (denominada por ele de poesia "matuta"). "
Outra referência histórica mostrada no espetáculo foi a Seca de 1932...
Na seca de 1932 o nordeste brasileiro sofria com as conseqüências da estiagem, mas também vivia um momento histórico próprio dentro da era de Getúlio Vargas; Lampião e seu bando centralizavam as atenções dos políticos; as oligarquias políticas do Nordeste mudavam de nomes: Padre Cícero ainda tinha influência política e milagrosa para os sertanejos e a irmandade do Caldeirão de Santa Cruz do Deserto atraia centenas de flagelados para os arredores de Crato, no Ceará.
Com o temor da intensa invasão de flagelados para Fortaleza — e para outras grandes cidades do Ceará — a estratégia dos Currais do Governo mais uma vez foi implantada, só que desta vez não somente em Fortaleza, mas também em cidades com alguma estrutura básica e com estações de trens. Além dos campos de concentração na capital da Terra da Luz, um no já conhecido Alagadiço e um outro no noroeste da capital, no Pirambu (ou Campo do Urubu como ficou conhecido), foram instalados outros em Crato, em Cariús, Ipu, Quixadá, Quixeramobim e Senador Pompeu. Os sertanejos ali alojados recebiam algum cuidado e comida, e podiam trabalhar nas frentes de obras, sempre sob a vigilância de soldados.
Estima-se que cerca de 73 000 flagelados foram confinados nesses campos onde as condições eram desumanas, o que resultou em inúmeras mortes. Ainda durante essa seca, flagelados cearenses foram enviados para o combate nas trincheiras da Revolução de 1932 em São Paulo.
Estes dois contextos históricos mostram a riqueza cultural da Cia do Tijolo, o que nos mostrou que o teatro além de ser purificante para a alma, acrescenta muito para nossa formação, pois ali a maneira de aprender se torna prazerosa por ser diferente dos livros e ser mostrada na visão artistica.
O momento mais emocionante do espetáculo foi quando "Patativa" narra a morte de Nanã, acredito eu que a Cia do Tijolo já está tão íntima de Patativa que conseguiram mostrar na interpretação os trejeitos do poeta, no ator que assumiu uma postura que denotava o verdadeiro sentimento de perda retratado por um homem simplório mas dotado de um sensibilidade invejável.
Por fim, percebemos que ficou bem claro em momentos do espetáculo que uma de suas preocupações principais foi mostrar que o povo do sertão mesmo com toda a dificuldade consegue sempre trazer consigo uma alegria de viver, um orgulho, diria até mesmo um amor pelo lugar onde mora que contagia a todos, e que nos faz pensar na relatividade da felicidade, e como muitas pessoas não são dignas de reclamarem de suas vidas frente a isso.
Tive a honra de cumprimentar o elenco e posso dizer com certeza que sai dali com a alma renovada!
Uma coisa que eu gostaria de salientar é que, foi muito interessante a maneira com a qual o grupo em questão usou os poemas de Patativa encorporados ao texto da peça, e outra, a forma excelente e talentosa forma com a qual CADA ATOR parecia mudar de personagem
ao longo da apresentação, uma mostra de talento puro em frente aos nossos olhos.